01 EXT. MANSÃO DELLAFRANCO- DIA.
Em Leandra, ainda atônita. Lágrimas
escorrem de seus olhos. Ela salta sem pensar na piscina.
CAM.
Nada e agarra a criança, abraçando-a e
nadando novamente para a superfície. Respira e sai da piscina. Sentando-se, ainda com
Toni em seus braços.
LEANDRA
(Chora)
Meu filho...!
Meu, meu bebê. Meu filho...
Ela acaricia Toni delicadamente. Jade vem correndo em direção aos dois com
Moisés e a babá.
JADE
Ouvi um barulho!
O que aconteceu?
Leandra engole o choro e levanta-se com raiva.
LEANDRA
Essa
incompetente! Deixou o carrinho com o bebê cair na água. Ele...
Podia ter morrido se eu tivesse chegado à tempo!
ARLENE
Me desculpe,
dona Jade, eu-eu sai apressada para buscar a mamadeira. Eu não vi o
carrinho destravado.
LEANDRA
(Grita)
Bateu o pé nele o
carrinho foi pra frente sua irresponsável!
ARLENE
(Nervosa)
Perdão dona Jade, perdão. Não me demita,
por favor.
LEANDRA
(Ódio)
Incompetente!
Irresponsável!
JADE
Arlene, quem
decide se você fica ou não, não sou eu. A
gente precisa esperar o Juliano chegar e decidir. Enquanto à você! (à Leandra)
Obrigado, agora me dá o Toni aqui.
Jade abre os braços, Leandra hesita em dar e abraça ainda mais
Toni.
JADE
Leandra, me
entrega a criança. Dá ela pra mim.
Leandra entrega Toni a Jade, ainda muito hesitante,
disfarçando o desespero.
JADE
Eu vou trocar
para ele não resfriar.
MOISÉS
Eu te ajudo.
Jade e Moisés saem. Leandra encara Arlene, que
recua. Ela se agacha e pega a bolsa. Encara outra vez e sai andando até seu
CARRO. Adentra. Chora compulsivamente e perturbada
mente desesperada.
02 INT. CASA DE
MEL-DIA.
Laís encara Mel, que não hesita em nenhum momento.
MEL
O que é que foi? Não gostou? Então sai. Vai
embora e tenta sobreviver lá fora. Pelo menos aqui você ainda pode
limpar o chão, e devia agradecer por isso, heim? E lá fora? O que é que você pode fazer lá fora? Ah, já sei!Nada!
LAÍS
Não pode fazer o
que quer. Aqu/
MEL
Deixa de ser
idiota, é claro que eu posso! Eu que tô bancando isso
aqui. Eu! E você está sendo paga pra atender às minhas
necessidades. Então abaixa e limpa.
Laís olha com ódio para Mel.
LAÍS
Sim senhora.
Laís pega o pano molhado e passa a limpar o chão, e catar os
cacos.
MEL
(Sorri)
Muito bem.
Mel vira-se e sai andando. Sobe as escadas e some. Laís observa e
cospe no chão.
03 INT. HOSPITAL, QUARTO- DIA.
MUSIC FADE: POEMA
DE LÁGRIMAS- OUTROEU.
Miguel está parado na porta, vendo com certo
incômodo a cena
diante de si. Juliano e Sebastian continuam se entreolham. Juliano nota a
presença de Miguel, que tenta disfarçar.
JULIANO
Miguel? O que
você está fazendo aqui?
MIGUEL
É… Eu, eu… vim… precisava
saber onde você estava.
JULIANO
Como descobriu
que eu tava aqui?
MIGUEL
Eu posso
descobrir
qualquer coisa, por vezes, me arrependo das
coisas que descubro.
Sebastian se apressa em se apresentar. Estende a mão.
SEBASTIAN
Me chamo
Sebastian.
Miguel hesita em apertar sua mão, mas acaba
fazendo.
MIGUEL
E então? Por que
veio parar no hospital?
JULIANO
É uma longa
história.
MIGUEL
Eu queria
saber/
JULIANO
(Interrompe)
Sebastian! Já sei como
posso te agradecer. Que tal ir jantar lá em casa hoje?
MIGUEL
Eu…
Miguel fica completamente por fora da conversa. Ele se
encosta na parede, cruza os braços e observa a conversa empolgada entre os dois.
04 INT. CASA DE MEL, QUARTO-NOITE.
Mel se encontra em pé, frente ao
espelho. Ela enche duas taças de vinho. A porta do quarto é aberta.
Adentra Ricardo, ela sorri.
RICARDO
A senhora
mandou me chamar?
MEL
Mandei. Mandei
sim.
RICARDO
Pois não?
MEL
Eu quero que
você brinde
comigo.
Mel estende uma taça para Ricardo.
RICARDO
(Sorri)
Eu sabia… Eu sabia que
você ainda queria.
Ricardo tenta pegar a taça, mas Mel
derrama todo o vinho no chão.
MEL
Bebe agora.
RICARDO
Como assim?
MEL
Eu vou mesmo
precisar desenhar? Tudo bem. Você vai abaixar e beber o vinho do chão.
RICARDO
Não vou fazer
isso.
MEL
Vai sim. Vai.
E sabe por quê? Porque você precisa de mim, não é mais o contrário. Eu quero
ver você na lama, assim como você me fez ficar!
Quero ver você caindo, como eu cai quando você me tirou o chão! Bebe! Tá esperando o
quê?!
Ricardo se ajoelha no chão e hesita um
pouco. Ele abaixa e passa a beber o vinho do chão. Mel sorri,
altiva.
05 INT. CARRO DE LEANDRA- NOITE.
Leandra está na estrada. Ela chora bastante,
desesperada. Lembra de Toni.
06
EXT.
RUA-NOITE.
Moisés e Jade caminham pela rua.
JADE
Eu nunca
imaginei viver algo daquele tipo. Foi emocionante, mas me deu muito medo no
final.
MOISÉS
Eu nunca
imaginei que você seria uma garota tão legal.
JADE
Eu sou
maravilhosa! Escuta, eu falei com meu pai. Você vai trabalhar
de motoboy na empresa.
MOISÉS
Você sabe que com
isso tá me dando uma chance de recomeço, não sabe?
JADE
Sei, e de
ontem pra hoje, foi tudo que eu mais quis na vida.
Trovão. Pingos de chuva começam a cair.
JADE
Vamos para
casa!
MOISÉS
Não!Eu tenho uma
idéia.
07 INT. MANSÃO DELLAFRANCO-NOITE.
Juliano e Sebastian riem. Eles estão sentados num
sofá e Miguel em
outro. Sente-se desprezado com a taça de whisky.
JULIANO
Vamos subir?
Eu quero te mostrar umas fotos do Toni.
SEBASTIAN
Claro! Tenho
que aproveitar muito esse tempo livre. Semana que vem eu vou ter que viajar
para Malásia.
JULIANO
Que legal, mas
por quê?
SEBASTIAN
Faço parte de um
programa comunitário que ajuda as pessoas doentes e pobres do países.
Juliano e Sebastian seguem conversando enquando sobem
as escadas.
Miguel está chateado. Ele pensa.
JADE
(V.O)
Chato! Você sempre
estraga tudo no final!
Ele pisca. Pega uma revista e passa a folheá-la.
MIGUEL
Chato…
Ele para numa página sobre sexo à três. E passa a lê-la. Pega a
garrafa de whisky e bebê. Depois levanta-se e sobe as escadas.
= = CORTE
DESCONTÍNUO = =
Juliano e Sebastian riem olhando as fotos de Toni.
SEBASTIAN
Essa sua história com o Toni
é incrível. Eu queria
a minha vida cheia de emoções. No entando, tudo que eu vejo é gente ferida
e morta todo dia.
MIGUEL
Você quer emoção?
Miguel aparece na porta e joga a revista direção à Sebastian.
MIGUEL
Segura!
Miguel tira os sapatos e vai afrouxando a gravata,
tirando ela.
MIGUEL
Eu sou sempre
o chato que estraga tudo toda hora! O que vive em função do trabalho
e está sempre muito
formal, muito composto, muito sério!
Sebastian lê a revista.
JULIANO
O que tem
dizendo aí?
Juliano pega a revista.
SEBASTIAN
O que você…
JULIANO
Não! Você não… Não mesmo.
MIGUEL
Eu só tô querendo ser
legal dessa vez. Vocês que estão sendo chatos!
E então? Preparados
para maior emoção em anos, ou não têm coragem. Já sei! Viraram
um copiá fiel de mim? Estão vivendo em função da rotina
também?
Juliano e Sebastian se entreolham. Depois para Miguel.
SONOPLASTIA:
ELEPHANT GUN-BEIRUT.
Miguel sorri.
= = CORTE DESCONTÍNUO = =
ENTRECORTE. Volta a cena de Leandra no carro chorando
no carro. Desesperada.
= = CORTE
DESCONTÍNUO = =
ENTRECORTE. Volta a cena. Miguel beija Juliano, que
beija Sebastian.
= = CORTE
DESCONTÍNUO = =
ENTRECORTE. Volta a cena de Jade e Moisés. Os dois rodam
na chuva, felizes.
ENTRECORTES vão se passando entre essas três cenas.
Miguel vai jogando a roupa no chão à medida que
tira, juntamente com Juliano e Sebastian. Os três nus. Juliano
sorri e sai em direção ao BANHEIRO do quarto, Miguel e Sebastian vão atrás. Ele adentra
e liga-o. A água cai em seu rosto. Miguel e Sebastian adentram.
Miguel beija Juliano, o encurralando na parede. Sebastian passa a mão lentamente
da perna de Juliano ao pescoço. Depois o beija. Fecha o box de vidro.
ENTRECORTE. Em Jade e Moisés se
divertindo na chuva. Ela grita.
ENTRECORTE. Em Leandra, o vidro do seu carro está embaçando por conta
da chuva. Ela limpa as lágrimas em vão, pega o celular e disca o número de
Miguel. Nesse meio tempo, ela não notou o carro vindo em sua direção e colidindo
com o seu, que é arremessado na pista e capota várias vezes até que para. O
vidro se quebra em seu rosto. Em
Leandra, inconsciente.
ENTRECORTE. O vidro do banheiro está embaçando, mas CAM
pega a cena. Miguel é encurralado na porta de vidro. O cabelo de Juliano é puxado por
Sebastian.
DOLLY OUT. CAM recua abandonando a cena. Ela faz um
movimento retrógrado, passa pelo quarto, mostrando as roupas
espalhadas no chão. Passa pelo celular de Miguel, também no chão, vemos uma
chamada de Leandra. Sai
do quarto.
FIM DO
CAPÍTULO.

